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E viva o Clube do Mickey! Sabe aquele desenho do Pica-Pau em que um urso invade o trailer de dois campistas? E a mulher fica histérica lá dentro, berrando aos quatro ventos “Alfreeeedo, tem um urso no trailer!”? Pois então. Foi bem assim que me senti assim anteontem. E o pior é que não tinha nenhum Alfredo para me socorrer. Antes que você pergunte, leitor: não, não entrou nenhum urso aqui – mas sim um rato quase do tamanho de um Andy Panda. Tá, talvez de um pônei. Ok, de uma capivara. Certo, certo: era só um camundongo pretinho – igual ao Mickey, mas sem aquela voz afrescalhada e luvas nas patinhas. Pois o bicho pestilento se alojou atrás do tanque, por entre uns tapetes que estavam para lavar. Na verdade, só percebi que era um rato quando o namorido chegou em casa. Aliás, quem percebeu foi ele. Tudo que eu vi ao adentrar a cozinha foi uma mancha escura, rápida e faceira, correr para o tal cantinho. Pensei com meus macaquinhos: “putaqueopariu, tem um bicho na cozinha!”. Meu coração disparou. Corri de volta para a sala. Respirei fundo. Me acalmei. E voltei, matutando com meus botões: “deve ser: a) uma aranha, o que não seria tão ruim; b) uma barata, o que seria nojento, mas fácil de matar com inseticida; c) um rato, o que significaria meu completo desespero e danação eterna”. (Abro um parêntese para dois esclarecimentos: sim, eu penso em itens. E sim, eu tenho paúra de ratos. Eu sei, é deprimente ver uma mulher do meu tamanho, independente e emancipada, gritando com o mais profundo pavor e sapateando em cima do sofá – ou de qualquer objeto escalável mais à mão – ao topar com um desses roedores. Mas é mais forte que eu. Rato é uma criatura pestilenta. Não sei quanto tóxico sêo Walt tomou ao transformar um bicho repulsivo desses num mascote docinho e sorridente – e o pior é que o mundo todo comprou a idéia! Ratos não riem. Apenas se esgueiram para dentro da sua casa, comem suas coisas, transmitem doenças e, quando dá, matam um terço da população européia numa epidemia – devemos ser gratos por não ter vivido na Europa durante a Peste Negra. Pronto). Voltando. Depois de considerar as três possibilidades – e descartar a da aranha, pois as tecedeiras de oito patas não se movem tão rápido quanto a mancha se moveu –, decidi pegar o inseticida, me empoleirar estrategicamente sobre a máquina de lavar (para caso a criatura, ao sentir o veneno, tentasse correr para cima de mim e me atacar) e borrifar o bagulho na direção do tanque. Dito e feito. E nada de aparecer o bicho – o que diminuiu ainda mais minhas esperanças dele ser uma barata. Baratas correm quando tomam uma chuva de veneno. Nisso, tocou o telefone. Desempolerei, atendi e respirei aliviada: era um colega, leitor e jornalista. Falei: “olha, tem alguma coisa aqui em casa, se você ouvir um grito e o telefone ficar mudo, chama a polícia”. Diante do espanto do moço, tive de completar: “não, não. É uma barata ou um rato, acho”. Fui conversando de olho no cantinho do tanque. No meio do papo, eis que a mancha corre de novo para outro lado. Dei um grito gutural, o que fez com que meu interlocutor se calasse por uns segundos. Corei e expliquei que o bicho tinha aparecido de novo. Pedi desculpas; descartei por completo a possibilidade de ser uma aranha e achei que, para uma barata, parecia meio grande. Só podia ser um pestilento maldito. Nisso, feito num filme, a Sétima Cavalaria – ou o namorido – chegou. Desliguei o telefone, respirei aliviada e expliquei a situação. Disse que provavelmente era um rato – que entrou às escondidas, tomou conta do lugar, comeu o bolo que estava em cima do balcão, me expulsou da cozinha e só faltou tirar o controle remoto da minha mão, me botar para fora e gritar “e não me apareça mais aqui!”, batendo e trancando a porta. Depois de rir da minha cara por uns cinco minutos, especialmente quando mencionei a escalada na máquina de lavar, ele se dirigiu calmamente para o lado do tanque, chutou os tapetes e sentenciou calmamente: “é um rato mesmo. Um camundongo”. Corri, fechei as portas dos quartos, subi no sofá e me neguei a descer. Ele abriu a porta e, munido da vassoura, espantou o indesejado visitante para fora. Ainda bem que não teve de matá-lo. Onde diabos eu iria desovar o cadáver de um rato? E imagina só para limpar o local da morte? Eu ia ter de me mudar! Oficialmente, agora faço parte do Clube do Mickey – feito Justin Timberlake, Britney Spears e Flá Wonka. Mas podia ter passado sem essa. Ainda mais porque o meu Clube do Mickey – assim como o de Flá – não dá direito a contratos milionários, shows superproduzidos ou videoclipes hilários, vestindo a roupa do Leão da Montanha. Droga. Clara McFly às 05:27 PM |
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